sábado, 21 de novembro de 2015

Um corpo nadando no contemporâneo

"Ao suspirar para a vida
Agarrado pela juba selvagem
Silenciado pela boca pintada
Metido naquele corpo gritante
A leoa me raptou."


Foto: Caio Mello
Modelo: Loucas Figueiras





O templo de cada um, resguardado e aberto, feito e desfeito. O corpo é o eixo da relação do indivíduo com o mundo e nesse processo de existência individual e coletiva ele assume o caráter de colecionador de imaginários sociais, dentre outras funções de diversos tipos. Colecionando memórias afetivas e sociais, de pouco em pouco se caracteriza a morada dos desejos, das realizações e desgraças de cada sujeito social. No contemporâneo, cada vez mais múltiplo, o corpo se evidencia não apenas como a formação morfológica de membros, órgãos e funções que transita de um lado para o outro, mas também como uma ferramenta de expressão dos (des) contentamentos pessoais, da identidade e subjetividades. Se descortinando de normas e atrelando-o às discussões que dizem respeito ao gênero, encontramos nessa carcaça sóciahistórica e cultural a oportunidade de explorar o leque fabuloso que temos diante da criatividade humana. Gênero, como instrumento analítico, nos permite analisar o papel social que assumimos dia após dia. Deixando de lado padrões enraizados, ao pensar e materializar o corpo e considerando a complexidade rica trazida pelas questões de gênero, as possibilidades de se mostrar para si mesmo e ao mundo se pluralizam. O corpo desenha a diversidade humana, com suas maneiras de ser mulher, homem, LGBTQIA+, heterossexual, com diferentes cores, etnias e ideologias. Temos em mãos diferentes opções de ser e estar no mundo ao mesmo que encontramos pela frente um muro de determinações, padrões e hierarquias. Subvertendo, diversificando e incomodando seguimos o nadando.

~ Caio Mello